A Marcha dos Pingüins
Dirigido por Luc Jacquet. Narrado por Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk.

Aos créditos finais deste emocionante documentário, ao som da bela canção de Emilie Simon, "All is White", controlei-me para não chorar. Afinal, o filme me fez rir, torci pelos pingüins nos momentos difíceis, me sensibilizou de uma maneira que muitos dos filmes ultimamente não conseguem. E isso é raro, já que se trata do primeiro longa-metragem de 2006 e ainda mais um documentário. Filmes emocionantes? Muitos. 2 Filhos de Francisco, Crash - No Limite, King Kong... Porém, me encantei com ele nas duas versões que eu assisti - a brasileira que tem uma dublagem competente e a francesa, que possui uma voz energética, algo a mais.
O documentário conta a história da marcha do pingüim-imperador. Desde a sua marcha até um local onde fazem a dança anual, ou seja onde acontece a reprodução até as viagens que os machos e fêmeas fazem de um canto para o outro. Quando nascem os filhotes, vemos o quão eles sofrem, pois obrigado a se afastarem dos machos e algumas fêmeas, eles são obrigados a se tornarem independentes. E é nisso que o documentário acerta.
O primeiro acerto é a maneira com que Luc Jaquet o conduz. Ao invés de ter um narrador fixo, contando o que acontece com os animais, detalhadamente, ele pega uma das famílias de pingüins e coloca três narradores - um homem, uma mulher e uma criança - que se colocam no ponto de vista das aves. Então, quando assistimos, por exemplo, a marcha, não é erro de legenda quando lemos a seguinte frase: "Estamos quase chegando". O "estamos" aí é o pingüim, em questão.
A fotografia do filme é um atrativo a parte. Ele captura quadros detalhados de tudo, desde a dança de acasalamento até o nascimento do filhote, que aos poucos, vai quebrando a casca, até o próprio carinho de mãe. Ou então quando torcemos pelos pingüins contra os predadores, podemos ver de pertinho a tortura das aves maiores, a agressividade dos peixes maiores, que são chamados de monstros. E fica óbvio que o diretor sofreu para pegar cada um doa quadros, cada pingüim em sua melhor forma, por isso, ponto para Jaquet.
Os cenários são lindos. Vemos cada geleira, a equipe francesa conseguiu pegar as partes mais belas de um lugar que realmente tem muito para mostrar. Colocando o amor familiar como o foco das várias marchas dos pingüins-imperadores, o documentário é excepcional, muito melhor do que muito filme por aí, merece ser visto por todos. E olha que este é apenas o primeiro filme do diretor Luc Jaquet, guardem bem esse nome, guardem bem...
[9,0]
Escrito por Diego Rodrigues às 18h08
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