A Caverna
Dirigido por Bruce Hunt. Com: Morris Chestnut, Eddie Cibrian, Kieram Darcy-Smith, Cole Hauser, Lena Headsey, Marcel lures, Daniel Dae Kim, Piper Perabo e Rick Ravanello.

Só há uma maneira de descrever este filme: Tela Quente. Se você acompanha os filmes exibidos no programa da Rede Globo já deve ter visto um milhão de filmes praticamente iguais a esse. Não? Duvidou? Então, saca bem a história: uma equipe de exploradores é chamada para desvendar segredos de uma caverna romena subterrânea, porém lá eles descobrem algo maior quando se deparam com o medo de uma espécie de criatura aterrorizante. As situações que eles enfrentam no caminho são previsíveis demais, parecendo aqueles filmes de terror em que quando os personagens entram em cena, já sabemos quem morre e quem vai sobreviver.
O filme é tecnicamente bem produzido. A trilha composta por Reinhond Reil e Johnny Kilmek é boa, não ótima, apenas boa, com um tema interessante que poderia ter sido utilizado numa produção mais bem acabada. A edição também deixa a desejar, amadores como sempre, colocam muitos fades para separar as cenas, o que irrita – já deixa uma brecha pra comerciais na TV. Se ao menos justificasse alguma coisa, por exemplo, há filmes em que o protagonista dorme e um fade é inserido, mas aqui ele intercepta entre uma cena ou outra, o que não fica legal.
O roteiro, escrito a quatro mãos, aperta as mesmas teclas de quaisquer outros filmes do tipo, nunca desenvolvendo situações originais – a parte legal do filme é quando a personagem da linda Piper Perabo, Charlie, escala entre um muro ou outro para fugir de uma das criaturas. Por exemplo, podia então colocar uma situação mais aterrorizante em que as criaturas criariam uma armadilha e eles não souberem mais o que fazer, acabaram-se a idéia, mas elas nunca acabam.
Partindo da parte técnica, a direção de Bruce Hunt não cria nada de tão ameaçador no filme inteiro. Tudo bem, os sons que ele coloca ali e aqui assustariam qualquer um naquela situação, mas de resto, deixa a desejar e muito. Hunt não consegue nem criar um clímax de suspense e também não utiliza muito a trilha de Reil e Klimek para ajudar, preferindo não deixa-los em uma situação aterrorizante e simplesmente em uma situação de aventura, ou seja, aquelas criaturas não são nenhuma novidade, afinal enfrentamos todos os dias, o que é uma coisa grotesca pois a bióloga parece estar certa sempre.
E por falar nisso, os estereótipos são impressionantes. Em Crônicas de Nárnia, tínhamos aquela idéia do irmão mais novo, o mais velho, a mais nova e a mais velha, com cada um com suas características, mas o filme utilizava os estereótipos ao seu favor. Por aqui, temos o irmão mais velho, o líder, o mais novo, o que se acha o melhor e quer ser tão bom quanto a todos, o resto da tripulação, claro que tem sempre o amigo fiel do líder, o que sempre briga com todo mundo, a bióloga, a mocinha do filme que vai se meter em uma situação arriscada para o mocinho salva-la e assim vai indo. Tudo a gente já viu em algum lugar.
Enfim, A Caverna não é nada original, com boas interpretações de Pipe Perabo e Eddie Cibrian, o resto é forçado. Se não tiverem mais nada pra assistir, assistam novamente King Kong ou os outros filmes em cartaz, passem longe deste.
[4,0]
Escrito por Diego Rodrigues às 16h03
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As Loucuras de Dick e Jane
Dirigido por Dean Parisot. Com: Jim Carrey, Téa Leoni, Richard Jenkins, Alec Baldwin, Carlos Jacott, Clint Howard, Angie Harmon, Jeff Garlin.

Que Jim Carrey é um brilhante ator, sem dúvidas nenhuma. Basta ver seus emocionantes trabalhos em O Show de Truman e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, por exemplo. Mas ele também é um excelente comediante, afinal, qual dessas comédias não fez você dar nenhuma risadinha: O Máskara, Todo Poderoso ou até Débi e Lóide – Dois Idiotas em Apuros? Bom, ta certo que a Academia ta nem aí pra ele – e ignorou suas duas grandes interpretações – e que muitos também não gostam por causa de suas caretas. O fato é que aqui ele está bem mais equilibrado do que em seus outros filmes.
Após a empresa em que Dick (Carrey) trabalhava ser vendida para outra, ele tenta arrumar um emprego, mas sem muitos sucessos. A sua esposa, Jane (Téa Leoni) está enfrentando uma situação parecida, já que ela pediu demissão de seu trabalho pensando em passar mais tempo com seu filho. Já que nada dá certo, Dick pensa em uma solução: assaltar. Ele começa a usar a arminha de água do filho para cometer seus assaltos e, com a ajuda de Jane, os dois vão enlouquecer a vida de muita gente.
A trama é muito boa, já que envolve um assunto que já estamos acostumados a ver aqui no Brasil: a famosa lavagem de dinheiro das empresas. A comédia aborda necessariamente isso e também o desemprego, afinal qual o desempregado que não pensou em roubar coisas para sobreviver e parar de seguir as regras, só pra variar? Aliás, isso é o que tem de melhor no roteiro, o foco não é o assalto como muita gente acha, simplesmente o fato deles estarem desempregados e o que gerou isso – de uma forma hilária, aliás.
Jim Carrey protagoniza com muito carisma e com sempre sua atitude exagerada de caretas, porém como eu disse, ele está muito mais equilibrado. A parte em que ele canta no elevador, logo no início pode parecer sem graça no início, mas o final compensa. Aliás, a química entre ele e a protagonista, é incrível, mas em todos os seus trabalhos, é ótima. É claro que Téa Leoni também ajuda bastante, tem um carisma e de todas as duplas já vistas com Carrey, essa é a melhor, a que possui mais timing cômico. Surpreendeu!
Uma ótima comédia que fala sobre um assunto já bastante conhecido, por nós, brasileiros e que foi inspirada em uma empresa americana. No entanto, o roteiro nos deixa aberturas que não são fechadas, afinal, a relação entre o garoto e seus pais é abordada de quando em quando, seria divertido ver como o filho reagiria ao ver o pai na televisão, todo assustado, quando Dick comparece no programa “Mundo do Dinheiro”. Palmas para o diretor Dean Parrisot.
Observação: A produção é uma refilmagem de Adivinhe Quem Vem Para Roubar, com George Segal e Jane Fonda em 1977.
[8,0]
Escrito por Diego Rodrigues às 14h51
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Tudo em Família
Dirigido por Thomas Bezucha. Com: Claire Danes, Diane Keaton, Rachel McAdams, Dermot Mulroney, Craig T. Nelson, Sarah Jessica Parker, Luke Winson, Tyrone Giordano, Brian J. White, Elizabeth Reiser, Paul Schneider, Savannah Stehlin, Jamie Kaler e Robert Dioguardi.

Alguém Tem Que Ceder era uma comédia irregular, estrelada pelos sempre competentes Jack Nicholson e Diane Keaton (que tinha uma ótima performance). O motivo das comparações destes dois filmes seria simplesmente o fato de ambas terem Keaton encabeçando o elenco e dessa comédia ter tido Sarah Jessica Parker como a “revelação”, sendo indicada ao Globo de Ouro pela produção. Keaton conseguiu uma indicação pelo Alguém Tem Que Ceder, mas Parker não tem muitas chances.
Bom, Tudo em Família é só mais uma comédia adulta que tem como pano de fundo a famosa rejeição familiar com algum namorado ou namorada de um filho. Algo parecido vimos no horrível, no péssimo A Sogra, a “comédia-clichê” do ano de 2005, na qual o filho leva a personagem de Jennifer Lopez para conhecer sua sogra, interpretada pela Jane Fonda. Aqui temos o namorado, interpretado por Dermont Mulroney que leva Meredith (Sarah Jessica Parker) para conhecer a família. A mãe é Diane Keaton e o pai, Graig T. Nelson (a voz do Sr. Incrível em Os Incríveis).
As piadas, algumas inspiradas e as outras – o erro que acomete a maior parte das comédias em Hollywood – forçadinhas, mas por incrível que pareça, só algumas. Há mais momentos inspirados, graças a Luke Wilson que tem as melhores cenas do filme e também tem a melhor atuação masculina. Contracenando ao lado de Sarah Jessica Parker, a química entre os dois é muito boa e ela, por sinal está ótima na pele da nora não muito querida entre os familiares. Também, ela se mete em confusão em cima de confusão.
Após falar desses dois, temos Graig T. Nelson que deveria ter tido um personagem mais explorado, já que ele não aparece tanto. Há uma cena hilária em que ele pega alguém na cama de alguém que é realmente formidável, a cara que ele fica e depois toda a reviravolta do longa. Enfim, Keaton é outra que não tem muita coisa pra mostrar, ela encarna a mãe protetora que Jane Fonda tentou fazer em A Sogra, porém aqui não vemos a sogra imaginando bater na nora ou coisas parecidas, nem bola planos com nenhuma assistente para tira-la fora do caminho.
O resto do elenco também está competente. Dermont Mulroney só se mostra bem nas cenas em que tem diálogos com sua mãe, que por sua vez são bastante inspirados. Já Rachel McAdams, que já encarnou tipos maldosos no cinema – vale lembrar a patricinha nojenta de Garota Veneno e também de Meninas Malvadas – cria uma personagem totalmente desprezível, tal como o roteiro a descreve e tem uma ótima performance, como sempre.
Os maiores erros deste Tudo em Família estão mesmo no roteiro. O final é totalmente previsível, a maioria das cenas engraçadas também, prejudicando um pouco essa produção. Este é o primeiro filme do diretor Thomas Bezucha, que também o escreveu e que por sinal, não fez tanto barulho em Hollywood como prometia e ele realmente parecia ser melhor. Mas é um bom filme e provoca risos, e este parece ser seu objetivo.
[7,0]
Escrito por Diego Rodrigues às 02h35
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