Cinemania S.A


Memórias de Uma Gueixa (Memoirs of a Geisha, 2005)

Dirigido por Rob Marshall. Com: Ziyi Zhang, Gong Li, Michelle Yeoh, Tsai Chin, Kaori Momoi, Suzuka Ohgo, Ken Watanabe, Youki Kudoh, Kôji Toyoda, Cary-Hiroyuki Tagawa, Randall Kuk Kim, Ted Levine e a voz de Shizuko Hoshi.

 

 

Quando comecei a ver Memórias de Uma Gueixa, não havia expectativa nenhuma. Já tinha ouvido parte da trilha de John Williams e não havia gostado, imaginei que o longa seria chato, então não tinha nenhuma esperança quanto a esta produção. Acertei em cheio. Só não esperava que o filme seria tecnicamente excelente.

 

O filme procura narrar a vida de Sayuri desde que era criança. Ela se torna uma das gueixas mais famosas da cidade, e vemos cada passo que ela deu, ano após ano. Só que a trama se torna ainda mais irrelevante quando ela começa a parecer uma daquelas minisséries da Rede Globo. Uma novela não seria mal comparação. A “mocinha” tem uma beleza que inveja uma das gueixas da cidade, Hatsumomo e esta faz de tudo para acabar com o reinado de Sayuri (ui, que má). Mas é claro que sem um bom romance uma novela não anda, e esse não é diferente. O filme é movido pela paixão de Sayuri pelo Presidente – sendo que ela começou a amá-lo quando era criança (!).

 

Depois de tanta embromação, diálogos inexpressíveis – a não ser por um dos textos no final do filme – e clichês já ultrapassados, Memórias de Uma Gueixa possui uma direção de arte belíssima. E não só ela, a fotografia também é ótima – a minha cena preferida é quando Sayuri joga o lenço e uma cena bastante boa também é quando a câmera se aproxima do rosto de Hatsumomo atrás do fogo. A montagem e tudo o mais, a parte técnica está perfeita.

 

Um atributo técnico que eu não havia gostado quando escutei pela primeira vez é a trilha sonora, porém quando assisti o longa pensei imediatamente que Williams havia conseguido novamente. A trilha completa perfeitamente o filme, dando ainda mais o melodrama. E por falar em melodrama, Rob Marshall comete um erro comum em Hollywood mas que não havia acometido Chicago. Aquelas cenas em que o choro é constante e a tristeza acaba isolando o personagem e os pensamentos saem em direção ao grande amor de sua vida. O melodrama aqui acaba se tornando comum e a direção de Marshall mostra-se completamente horrível quanto a isso.

 

Não que a direção de atores seja ruim, muito pelo contrário. A sempre boa Ziyi Zhang, por exemplo, está perfeita no papel, fora feito para ela. Enquanto a vilã interpretada por Gong Li cria uma criatura desprezível bem como Marshall queria, e isso é um ponto positivo. Enquanto Ken Watanabe está bom, somente isso. Porém, não posso dizer que as cenas em que o Presidente e Sayuri conversam, são completamente desagradáveis. Duas vezes, não é uma nem duas, são duas vezes, Sayuri está para se declarar para ele quando alguém a interrompe. Isso irrita!

 

Porém, não há como não gostar da parte técnica deste filme. Como narrativa, deixa a desejar e muito – se tivesse um roteiro decente. Se contratassem um diretor chinês e os atores falarem a língua de origem, não a língua americana, ajudaria muito também. Admira-se que entre os produtores encontra-se o nome de Spielberg (dããã, John Williams na equipe...), indicado este ano por Munique...

 

É, Spielberg, faltou força pra contratar alguém decente.

 

 [6,0]



Escrito por Diego Rodrigues às 15h29
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O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005)

Dirigido por Ang Lee. Com: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Randy Quaid, Michelle Williams, Linda Cardellini, Anna Faris, Randall Malone, Kate Mara, Scott Michael Campbell, Roberta Maxwell.

 

 

Ang Lee realmente merece o destaque de dirigir filmes que realmente mereçam o valor, com exceção do fraco Hulk, sua filmografia é ótima. O Segredo de Brokeback Mountain é o filme mais corajoso de sua carreira e também um dos mais emocionantes. Durante todo o tempo, vemos dois homens apaixonados se beijando, beijando as esposas, voltando a se encontrar, tudo na maior normalidade. Algo que no Brasil é difícil de fazer até numa novela, devido a “polêmica”. Por isso é admirável Hollywood.

 

Filmes sobre gays não são muito originais, Má Educação que o diga. Por isso o que tem que ser bom aqui é mesmo o roteiro, a história. O impacto que ela causa e o por que daquilo tudo. Por sorte, o roteiro de Larry McCurtry e Diana Ossana baseado a história de Annie Proulx, além do mais, a história se concentra nos dois personagens, sem desviar nenhum momento em, por exemplo, ao casamento de Ennie Del Mar com Alma. Só as conseqüências daquele amor e sim, um antes e depois do casamento. A mesma coisa com o casamento de Jack Twist. E o mais interessante é que os dois não são necessariamente caubóis, eles se conhecem procurando emprego e stêm de cuidar das ovelhas de um homem na montanha Brokeback.

 

Durante o filme, vemos as conseqüências dos encontros românticos de Jack Twist e Ennie Del Mar, além de como as esposas lidam com isso. O preconceito atinge o filme de várias formas, o jeito que todos conhecemos é mesmo na cena em que Ennie Del Mar conta uma história a Jack, e quando o último tenta um emprego. Lee não decepciona na direção, ele está excepcional, aliás. Verdade fora dita, alguns cineastas não teriam tanta coragem de mostrar o amor entre esses dois homens, se beijando e até dormindo juntos durante um pouco mais de duas horas nas telas de cinema – sim, tem alguns corajosos também, Amodóvar por exemplo.

 

A história é emocionante, tocante realmente. Tem um fundo muito forte, e quando vemos o final, ficamos na cadeira e pensamos neles, no que eles lutaram e tudo o mais. Numa época em que gays não eram muito “normais” por aí, o preconceito era comum – basta a gente ver algumas cenas. Só para se ter idéia, Ennis Del Mar conta uma história que ele e o irmão foram obrigados a ver: ambas as crianças foram ser obrigadas a ver um cadáver de um homossexual morto, sem o pênis.

 

A superprodução de Lee tem mais a oferecer. A parte técnica está ótima, desde a boa trilha sonora até a excelente canção de Emmy LouHarris, que inexplicavelmente não fora indicado ao Oscar. Mas o melhor mesmo são as atuações até as participações são boas. Não surpreende, já que Heath Ledger sempre se mostrou um ator competente, ele surge aqui com a melhor interpretação e com uma ótima química com Jake Gylenhall, outro que está ótimo em seu papel. Gylenhall é um ator diferenciado, ele sempre procura os bons papéis, como em Donnie Darko e em 2004 estourou no blockbuster O Dia Depois de Amanhã e desde a produção ele é um dos jovens mais requeridos pelos diretores.

 

Agora, grandes atuações fazem as esposas dos dois: Michelle Williams, em especial, interpreta Alma com uma sutileza, uma discreta atuação que encanta. Enquanto Anne Hathaway interpreta a séria Lureen, que rica e bonita, acaba administrando os negócios do pai e esquece totalmente seu marido, Jack Twist. Agora, a pergunta ainda mais conveniente: se eles eram gays, por que ainda estavam com as esposas? Diga-se de passagem que ambos estavam presos as esposas por causa dos seus filhos, como eles explicariam estarem vivendo com homens?

 

Bom, o que eu achei que poderia ser mais desenvolvido o tempo inicial da paixão. O início do filme, justamente poderia ter sido mais desenvolvido, o foco na narrativa poderia ter sido mais desenvolvido em mais olhares, mais toques, mais conversas... Eles se apaixonam mais rápido do que eu imaginava. Será que eu estou sendo muito exigente quanto a isso?

 

Mas nada tira o sucesso dessa história que é, sem dúvida, uma das mais tocantes do verão (hehe).

 

 [8,5]



Escrito por Diego Rodrigues às 18h18
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Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, 2005)

Dirigido por George Clooney. Com:David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels, Goerge Clooney, Tate Donovan, Thomas McCarthy, Matt Ross, Reed Diamond, Robert John Burke, Grant Heslov e Alex Bornstein

 

 

 

Sinopse: Apresentador de TV entra em uma disputa com palavras com o senador McCarthy em plena época do Marcatismo. Bem simples. Essa praticamente é a história de Boa Noite e Boa Sorte. Clássico? Já ouviu tantas vezes isso que fica até enjoado de histórias como essas? A história é, no entanto, contado de uma forma original que o ator já diretor George Clooney comanda de uma fora brilhante. Esse é o diferencial aos outros filmes políticos.

 

Preferindo uma fotografia ao maior estilo A Lista de Schindler e Ed Wood, entre outros filmes em preto-e-branco, Boa Noite e Boa Sorte fala não só do poder da televisão, mas também de um apresentador que luta por seus direitos e não vai desistir até que sua mensagem seja ouvida pelo mundo (não, não estamos falando de um terrorista explodindo coisas). Esse tal apresentador é Edward R. Murrow (Strathain), um homem respeitado por seus colegas e por seus ouvintes que corajosamente, apresenta um programa que fala sobre os “podres” do senador Joseph McCarthy. Uma série de acusações que irritam o político (sério?) e a partir daí, um combate de acusações acabam acontecendo e nos deixando ainda mais intrigados.

 

O filme ainda inclui algumas tramas coadjuvantes, que mostram os bastidores da TV na época. Quando ainda era uma novidade, no canal CBS eram proibidos os funcionários serem casados, por exemplo, e numa era de caça aos comunistas, todo cuidado era pouco. Uma dessas tramas é as dificuldades em conseguir audiência e mudanças de planos que acontecem devido ao ato de coragem de Murrow, que trazem conseqüências simplesmente trágicas para ele, durante o decorrer do filme, ou não...

 

A produção ainda tem as ótimas atuações coadjuvantes de George Clooney como o – eu acho – produtor Fred Friendly e Robert Downey Jr. Interpretando um funcionário casado. Mas é claro que a atuação-destaque fica inteiramente por David Strathaim. Sua interpretação é fantástica, excelente, em algum momento vemos que ele está ali de brincadeira, um ator competente e que deveria ter mais reconhecimento nesses últimos anos. De fato, a direção de Clooney está brilhante, como já fora dito lá em cima.

 

O roteiro fora escrito por ele com a ajuda de Grant Heslov, a parceria mostra-se então um filme invejável. Só por curiosidade esta produção era para ser comemoração do aniversário da CBS, pronto para ser exibido na TV, mas ainda bem que os produtores tiveram bom senso em exibi-los nos cinemas. Que venha mais Clooney dirigindo e escrevendo e, até certo ponto, atuando.

 

 [9,0]



Escrito por Diego Rodrigues às 05h43
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Munique

Dirigido por Steven Spielberg. Com: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Ayelet Zorer, Geoffrey Rush, Gila Almagor, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric, Lynn Cohen, Moritz Bleibtreu, Marie-Josié Croze.

 

 

 Spielberg estava louco! Só assim para explicar o fato de correr contra o tempo para fazer um filme, críticas negativas surgiriam com certeza. Mas eis que surge o velho Spielberg para nos aliviar, aquele mesmo diretor dos tocantes E.T – O Extraterrestre e até certo ponto, A Cor Púrpura, mostra seu lado mais corajoso que rendeu um Oscar por A Lista de Schindler e também uma indicação por O Resgate do Soldado Ryan – e agora por Munique neste filme que é, sem dúvida alguma, desde já, um dos melhores do ano.

 

O filme retrata a histórica competição dos Jogos Olímpicos de 1972, quando terroristas palestinos seqüestraram atletas israelenses. No aeroporto de Munique, a polícia alemã tenta uma armadilha para os terroristas, que foi um verdadeiro fracasso. O resultado foi catastrófico, quando todos os reféns são mortos. A partir daí, a Primeira-Ministra israelense autoriza vários grupos para vingarem seu país, matando um a um os palestinos envolvidos. Esses grupos eram apoiados pelo serviço secreto israelense, o Mossad. E então a partir desse momento acompanhamos um grupo, liderado por Avner (Bana), executando a tarefa de matar os terroristas envolvidos em Munique.

 

Se por um lado deveríamos achar que Avner é o mocinho da história, estamos enganados. Afinal, são terroristas contra terrorista, em uma guerra que nunca acaba, já que sempre que um palestino é morto, é substituído por outro mais cruel. O personagem criado por Eric Bana não é nem um pouco um herói, tampouco um anti-herói. Ele segue seus ideais, mas para o bem da sua família e até de certo ponto, para o seu país, e acaba liderando uma equipe, contando com mais outros quatro membros. São eles que vemos matar, explodir e tudo o mais durante quase três horas.

 

E em vez de tratar um terrorista como um verdadeiro assassino – já vimos isso em Hollywood várias vezes – acompanhamos a lógica de Avner em uma pergunta lógica: será que todas as vítimas estavam envolvidas em Munique? Há alguma real justificativa para aquilo tudo? Ou então fora só apenas para assassinar palestinos por pura vingança ou coisa parecida? Spielberg acaba mostrando que os terroristas sim têm uma resposta para tudo que eles fazem, uma justificativa e também que eles tem sentimentos, são pessoas frias e incalculáveis.

 

Spielberg suavizou Guerra dos Mundos, se acovardando em vários momentos do filme, sobretudo no final decepcionante. Por aqui ele faz bem diferente. Conferindo um estilo verdadeiro, sem mais demandas, ele mostra sangue e os assassinatos são todos bem sucedidos. Os ataques, principalmente na cena do telefone, são de tensos, emocionantes. A qualidade técnica é outra característica real de Munique, desde a boa trilha sonora até o excelente som e sua edição, a montagem do filme, tudo em perfeito estado.

 

Finalmente o Spielberg de antigamente ressuscitou, o ídolo dos blockbusters dos anos 90 num filme corajoso e que trata de situações comuns em nosso dia-a-dia.

 

 [9,0]



Escrito por Diego Rodrigues às 02h31
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Essa é a primeira parte dos que eu acho que serão os grandes vencedores na noite de Oscar. Eu coloquei dois nomes, sendo que o segundo é a opção. Então, vamos ver.  Ali em baixo tem em mais categorias, valeu.

 

 

Melhor Filme

O Segredo de Brokeback Mountain

Boa Noite, e Boa Sorte

 

Melhor Ator

 

Philip Seymour Hoffman, Capote

Heath Ledger, O Segredo de Brokeback Mountain

 

Melhor Ator Coadjuvante

 

George Clooney, Syriana

Paul Giamatti, A Luta Pela Esperança

 

Melhor Atriz 

 

Reese Whiterspoon, Johnny & June

Felicity Huffman, Transamérica

 

Melhor Atriz Coadjuvante

 

Catherine Keener, Capote

Rachel Weisz, O Jardineiro Fiel

 

Melhor Direção

 

Ang Lee, O Segredo de Brokeback Mountain

George Clooney, Boa Noite e Boa Sorte

 

Melhor Roteiro Original

 

Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney e Grant Heslov

Crash – No Limite, de Paul Haggis

 

Melhor Roteiro Adaptado

 

O Segredo de Brokeback Mountain, de Diana Ossana e Larry McMurtri (baseado no conto de E. Annie Proulax)

Capote, de Dan Futterman (baseado no livro de Gerard Clarke)



Escrito por Diego Rodrigues às 13h03
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Sairam os indicados ao Oscar. Esse é o primeiro post com as previsões, a outra parte está em cima por razões de caracteres extendidos.

 

Melhor Filme de Animação

 

Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais

A Noiva-Cadáver

 

Melhor Direção de Arte

 

King Kong

Memórias de uma Gueixa

 

Melhor Fotografia

 

Boa Noite e Boa Sorte

O Segredo de Brokeback Mountain

 

Melhor Figurino

 

Orgulho e Preconceito

Johnny & June

 

Melhor Montagem

 

Crash – No Limite

O Jardineiro Fiel

 

Melhor Maquiagem

 

A Luta Pela Esperança

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa

 

Melhor Trilha Sonora Original

 

O Segredo de Brokeback Mountain

Memórias de Uma Gueixa

 

Melhor Canção Original

 

‘Travelin’Tru’, Transamérica

“It´s hard Out there for a Pimp”, Ritmo de um Sonho

 

Melhor Edição de Som

 

King Kong

Guerra dos Mundos

 

Melhor Som

 

Johnny & June

King Kong

 

Melhores Efeitos Visuais

 

King Kong

Guerra dos Mundos

 

Melhor Filme Estrangeiro

 

Tsotsi (África do Sul)

Paradise Now (Palestina)

 



Escrito por Diego Rodrigues às 13h02
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