Syriana - A Indústria do Petróleo
Dirigido por Stephen Gaghan. Com: George Clooney, Matt Damon, Amanda Peet, Nicholas Art, Luke Barnett, David Clennon, John Higgins, Max Minghella, Chris Cooper, William Charles Mitchell, Jeffrey Wright, Tim Blake Nelson, Keveh Sari, Greta Scacchi, Alexander Sidding e Bob Fajkowski.

Começar a falar de Syriana assim do nada é difícil, várias vezes refleti e apertei o “delete” para apagar os inícios desta resenha. É um filme, muito, mas muito complexo que com apenas pouco mais de duas horas tem muito, mas muito a dizer. Não é um drama comum, é um thriller político assim como O Jardineiro Fiel, porém contado pela forma de vários personagens – não tanto nomes como Crash – No Limite – e o roteiro impressiona pelo fato de estar sempre focalizado em uma coisa, graças a essa coisa tudo passa a fazer sentido.
Graças a fusão entre duas companhias que podem gerar a maior empresa petrolífera do mundo, os árabes acabam senso prejudicados e são despedidos, um agente da CIA acaba servindo de marionete para seus próprios superiores ao desconfiar de algo a ver com o terrorismo e portanto é envolvido em algo mais perigoso. Também há o príncipe iraniano controlado pelos americanos e o irmão, justo, que é sempre aberto a conselhos do analista americano – cujo filho perdeu recentemente. E todos esses elementos do longa leva a um desfecho brilhante, um dos melhores finais de Hollywood do ano de 2005, sem dúvidas.
O fato é que isso gera uma discussão tão relevante quanto o próprio filme, assim como fizera Meirelles em O Jardineiro Fiel quanto a ONU e Paul Haggis quanto ao preconceito. Em Syriana, vemos também como são formados os famosos terroristas, o por que eles fazem aquilo tudo de explodir e no entanto, seus verdadeiros significados. E não vamos inocentar americanos, afinal a produção dirigida por Stephen Gaghan está para abrir os olhos dos habitantes do país do Tio Sam.
As histórias, todas elas, são muito bem escritas. Desde a mais emocionante delas, a dos do árabe que não consegue aceitar o desemprego e a miséria em que seu país está sendo entregue; ou então a do analista de energia, interpretado por Matt Damon – que deixa as armas de Bourne de lado – que perde o filho e ajuda um dos candidatos a príncipe iraniano – afinal, o pai dele deixará a herança do trono. Mas é claro que a lógica aqui é simples, se o pai desse o trono para esse, ele não aprovaria a fusão das empresas de petróleo, enquanto o outro é facilmente controlado pelos americanos.
Gaghan, infelizmente tem alguns problemas em encaixar a história do analista interpretado por Damon certas vezes. Errinho básico, já causado por Haggis em esquecer uma das histórias, a de Brendan Fraser e Sandra Bullock. Não interfere na mensagem ou em qualquer outro momento do longa, afinal há mais coisas a serem desenvolvidos do que aquela história.
Outro fato excelente de Syriana, além do brilhante roteiro, se diz a respeito a atuação de George Clooney. Achei que eram exagero os elogios dirigidos ao ator, o globo de ouro, a indicação ao Oscar e tudo o mais, porém tenho que admitir que esse é, com certeza, seu melhor momento em Hollywood. Ele é o agente da CIA que acaba virando marionete da própria agência de inteligência e então tem todo um processo de trabalho afetado, e acaba sendo até mesmo investigado. Não é apenas pelos diálogos que ele vai bem, mas também por suas expressões faciais – a cena na fileira dos carros, quando o irmão do príncipe o reconhece, é, sem dúvida alguma, a melhor.
O restante do elenco também não se sai mal. A química entre Damon e Amanda Peet, por exemplo, é ótima. Além disso, todos os coadjuvantes, ao exemplo de Chris Cooper, John Higgins, Alexander Siddig, Tim Blake Nelson... Enfim, o elenco está excelente, grandes performances, mas Clooney se destaca, com certeza. Num ano em que vemos George Clooney brilhar em duas super-produções, não admira que ele pode levar um Oscar de consolação.
Discussões a parte, Syriana é um filme que tem um lado político quão forte quanto O Jardineiro Fiel e Munique.
[9,0]
Nesse fim-de-semana: Crítica de Johnny & June e comentários sobre os filmes vistos nos primeiros dias do 2º Festival de Verão do Rio Grande do Sul de Cinema Internacional.
Escrito por Diego Rodrigues às 22h23
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Orgulho e Preconceito
Dirigido por Joe Wright. Com: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Donald Sutherland, Brenda Blethyn, Rosamund Pike, Jena Malone, Claudie Blakley, Simon Woods, Kelly Reilly, Tom Hollander, Judi Dench, Penelope Wilton, Peter Wight, Tamzin Merchant.

Sabe aquelas comédias que Hollywood produz de ano em ano, água-com-açúcar, aquelas? Aquelas, por exemplo, Procura-se um Amor que Goste de Cachorros e essas comédias românticas? Então vamos mudar um pouco o país, Inglaterra, pronto? Certo, mudamos então a época, um pouco mais antiga, deu? Certo, agora mudamos a temática do filme, ta não tem muito a acrescentar ou definir, só um pouco mais de charme. Então vamos a história desse bom Orgulho e Preconceito – apenas bom:
Elizabeth (Knightley) é uma das cinco irmãs Bennet, uma família que desesperadamente precisa de dinheiro. A mãe acha uma solução, mandar as filhas se casarem imediatamente, é então que as filhas se comportam como, vamos suavizar a histórias, como prostitutas. Sim, elas saem às ruas e qualquer cara rico que elas encontram, já tratam uma maneira de conhecê-los. Eu até diria que seria um grave problema com a história, já que isso me incomodou do início ao fim, mas é quando Elizabeth começa a se perguntar sobre a sua família que o longa fica bom.
Podia muito bem ser um problema, mas aos poucos a história vai se revelando e todos aqueles elementos vão se justificando de uma forma que, ás vezes soa tão cômico que ás vezes se torna um drama ainda maior na vida de Elizabeth. E isso é realmente de se admirar no filme, afinal todas aquelas desavenças que a personagem tem quando encontra o ricaço Darcy, tem uma justificativa ainda maior nesse caminho para o desfecho, que é sem dúvidas, previsível, mas elegante.
Keira Knightley cria uma Elizabeth adorável, e por falta de concorrentes maiores, merecida a sua indicação ao Oscar, devo dizer. A única que competiu pela vaga que também se saiu bem no papel fora Ziyi Zhang, mas acho que entre as duas, fico com a magra Knightley. Claro que ela também realça uma química impecável com o bom ator Matthew Macfadyen, gerando uma das melhores duplas de comédias românticas – ta, tudo bem, exagerei um pouco.
Mas se Orgulho e Preconceito fora feito para ser uma comédia romântica, tem de sobra, porém comete o erro de se estender mais do que devia, tornando o longa um pouco cansativo. E isso é um ponto negativo para o filme, já que sempre que achamos que acaba, há alguma coisa nova ou os personagens recuam há sempre algo a ser resolvido e mais coisa para ser dita e a cena final também é imprecisa, inútil, não precisava, fora colocada talvez só para destacar um pouco mais o personagem de Donald Sutherland – que andava um pouco pagado durante a projeção.
E por falar em Donald Sutherland, apesar de seu personagem aparecer pouco a pouco, ele sempre dá um jeito de mostrar seu talento. Sua interpretação é ótima, assim como a ótima aparição de Judi Dench como Lady Catherine ou até mesmo a hilária interpretação de Blenda Bennet como a mãe. Ela quer mais que as filhas casem do que as próprias filhas, e a maneira como ela trata algum pretendente, então.
A parte técnica não faz feio. Desde a ótima direção de arte, a fotografia e a trilha sonora até os mais remotos figurinos. E nos três primeiros itens, quando combinados, como na cena nos bailes, por exemplo, ficam excelentes. Sim, de fato a maior discussão girou em torno da fotografia de O Segredo de Brokeback Mountain que fora indicado injustamente, tirando fora brilhantes fogtografias como King Kong e agra a de Orgulho e Preconceito.
Enfim, Orgulho e Preconceito é um filme bonito, porém que havia muito mais para mostrar.
[7,0]
Escrito por Diego Rodrigues às 22h21
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2º Festival de Verão Internacional do Rio Grande do Sul
A partir do dia 9 de fevereiro terei dias de festival aqui em Porto Alegre. Trata-se do 2º Festival de Verão do Rio Grande do Sul Internacional - – por estar na praia no verão passado, soube disso somente agora, minhas férias não estão totalmente perdias, afinal. Eis os filmes que eu conseguirei pegar:
Até Já (À Tout de Suíte, França, 2004)
Buenos Aires 100 Km (Argentina, 2005)
Caché (França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005)
Crime Delicado (Brasil, 2005)
Estamira (Brasil, 2004)
Favela Rising (Brasil/EUA, 2005)
A Grande Viagem (Le Grand Voyage, França/Marrocos, 2005)
Mentiras Sinceras (Separate Lies, Inglaterra, 2005)
Meu Amor de Verão (My Summer of Love, Inglaterra, 2004)
O Milagre de Candeal (El Milagro de Candeal, Espanha, 2004)
Olhar Estrangeiro (Brasil, 2004)
Reis e Rainhas (Róis et Reine, França, 2004)
Rua dos Meninos (Brasil, 2005)
Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones (Stoned, Inglaterra, 2005)
O Veneno da Madrugada (Brasil, 2004)
Vocação do Poder (Brasil, 2005)
16 filmes... Nada mal, não? Dá pra ir melhor, com certeza, mas falta a famosa notinha verde chamada mais precisamente de dinheiro. Esses foram os filmes selecionados, claro que tinha alguns que eu também queria assistir, o Free Zone ou o Soy Cuba por exemplo, mas infelizmente os cinemas foram estar um pouco longe da minha casa e estas seções me pareceram mais acessíveis – coincidentemente as mesmas salas de cinema em que eu fui ao Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Bom, então dia 10 de madrugada esperem por críticas de Syriana, Orgulho e Preconceito, Johnny e June e agora também de Favela Rising e Rua dos Meninos. Até.
Escrito por Diego Rodrigues às 04h08
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