Capote
Dirigido por Bennett Miller. Com: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban, Amy Ryan, Mark Pellegrino, Allie Mickelson.

Quando fora lançado, o livro A Sangue Frio acabou fazendo o maior sucesso e deixou o nome de Truman Capote nas histórias da literatura moderna, iniciando um novo tipo de gênero “não-ficção”. Capote acompanhou por alguns anos um dos dois assassinos que acabaram eliminando uma família na sua própria casa. A cada nova descoberta, ele escrevia tudo em um livro, relatando todas as origens e as conseqüências deste assassinato sangrento em relatos que surpreendeu a todos. Porém, como sempre surgem os boatos e a polêmica, em torno disso tudo suspeitou-se que existia um certo amor entre o assassino e o escritor. O fato é que o longa dirigido por Miller é brilhante, brilhante mesmo.
Bom, praticamente a sinopse do filme está ali em cima. Perry Smith e seu parceiro, Richard Hickock acabam matando uma família em uma cidadezinha em Kansas. É então que o escritor Truman Capote, auxiliado por sua amiga de infância, Harper Lee, eles correm atrás da história, e isso fascina o escritor. Entre outras coisas a mais, Capote era também um homossexual assumido e tinha todos os jeitos afeminados e com uma voz extremamente irritante, por isso seu envolvimento com o assassino fora tão comentado. Sempre presente nas altas rodas, Capote era uma pessoa divertida e um bom amigo, é então que ele começa a passar alguns anos na prisão conversando com Perry Smith, que conta tudo sobre o crime sangrento e todas as suas origens e os seus sentimentos quanto a isso.
O filme não procura mostrar o assassinato da família, aliás, os dois homens são pego facilmente logo no início do longa. Justamente a relação entre o escritor e Perry Smith é que é questionada durante todo o filme, não sua homossexualidade muito menos o seu livro. Afinal, o homossexualismo é apenas uma característica de Truman e nada mais, o longa não é sobre homossexuais lutando por um amor impossível (embora muitos interpretem assim), mas é de um homem que aos poucos começa a sentir uma paixão, algo por seu confidente. Talvez Perry também tenha se apaixonado por Truman, o que seja bem provável – há alguns momentos do filme que indicam isso – mas nunca deixamos de ver também o que acontece quando o namorado do escritor começa a sentir ciúmes e tudo o mais.
E é de uma maneira brilhante que o diretor Bennett Miller conduz o filme, nunca deixando-o cansativo e jamais chato. Aliás, nem os flashbacks do final me incomodaram (e geralmente esses flashbacks me incomodam, basta ver Terra Fria, que estréia no mesmo dia de Capote para perceber). De fato, a direção tem uma justificativa muito boa para a indicação ao Oscar, merecida, aliás. A fotografia também nos remete uma sensação triste, mas ao longo do filme, vemos também tons mais alegres e a câmera inquieta aos momentos mais intensos. Enfim, a fotografia do filme é muito mais do que eficiente, ótima.
Interpretado perfeitamente pelo ótimo Philip Seymour Hoffman, que sempre faz um trabalho exemplar em cada filme que faz, Truman Capote ganha a nossa simpatia logo nas primeiras cenas.E se ele não ganhar um Oscar por sua atuação, realmente não sei o que seria mais injusto. Um momento em que eu gosto muito é quando ele e sua amiga estão conversando, esta já ia embora no carro, e ambos discutem a relação entre ele e Perry e as dificuldades em convencer seu namorado de que nada realmente está acontecendo. Ele acaba aceitando o fato de estar apaixonado e admite isso na maior simplicidade para Harper – o que é um pouco óbvio, já que os dois são amigos de infância. Mas não é só Hoffman que brilha, afinal o que seria do filme se ele não tivesse uma química perfeita com o jovem ator Clifton Collins Jr., o Perry Smith perfeito para o filme. Suas conversas com Capote é o que há de melhor nessa produção. O restante dos coadjuvantes também estão bem bons, Catherine Keener como Harper Lee e Bruce Greenwood como o namorado de Truman. Destaque também para a pariticpação de Chris Cooper como o chefe da polícia da cidadezinha.
Então Capote é um filme superior a muitos lançados com o mesmo objetivo e que não precisa apelar para romancezinhos bobos e coisa assim. Basta um olhar de um ator conduzido por um diretor competente para convencer. Afinal, convenceu a mim.
[90]
Escrito por Diego Rodrigues às 04h01
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Ponto Final - Match Point
Dirigido por Woody Allen. Com: Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Emily Mortimer, Brian Cox, Matthew Goode, Penelope Wilton, Margaret Tyzack, Steve Pemberton, James Nesbitt.

Woody Allen é um diretor competente, um roteirista inteligente e, acima de tudo, tem um poder de fazer filmes de relação criativos e envolventes. Esse é o caso de Match Point, ou Ponto Final, como foi rebatizado aqui no Brasil. Allen não é o galã da vez, quem interpreta agora é Jonathan Rhys-Meyer, e Scarlet Johansson agora é sua nova musa. Bom, se tratando do gênero, não é uma comédia Woodyliana, e sim um drama com um suspense inspirado e diálogos eficientes.
Fica claro que o forte do filme é mesmo seu roteiro – indicado ao Oscar, inclusive, este ano. Chris é um professor de tenista simpático e que acaba conquistando a família de seu aluno, incluindo sua irmã. Bom, é quando ele se apaixona também por sua cunhada, interpretada por Johansson. A partir dai, é puro amor e luxúria, em encontros e desencontros que vão formando cada vez mais e mais surpresas a cada instante.
Também temos aqui excelentes interpretações. Johansson se destaca mais também pelo seu corpo – nossa, essa garota é perfeita. Enquanto Jonathan cria um Chris propositalmente egoísta e que só pensa nele mesmo, sem escrúpulos e tudo o mais, ele não liga para sua esposa ou nem para sua amante, somente para ele mesmo. E o que falar do restante elenco? Bom, todos fazem seu trabalho. Emily Mortimer faz de Chole uma mulher que se importa do marido, e que faz de tudo para conquista-lo, uma esposa estereotipado ao extremo. Porém, graças ao talento da atriz – e também ao roteiro, a química com outros atores, a direção... - o estereótipo acaba sendo usado a seu favor.
E se isso não bastasse, o filme apresenta alguns momentos se suspense inspirados, sempre colocando Chris em primeiro plano, e a sua loucura quando as coisas começam a ficar piores é brilhante, um excelente trabalho de Allen, que diga-se de passagem, recuperou-se. Se em Melinda e Melinda, o diretor já fazia um bom filme, mudar de Nova York para Londres parece ter aprimorado ainda mais sua determinada inspiração. Da grandiosa Nova York a interessante Londres, uma boa mudança para um diretor que, em seu 34º longa-metragem mostra que ainda está em melhor forma.
[90]
Escrito por Diego Rodrigues às 18h38
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