Dirigido por Niki Caro. Com: Charlize Theron, Frances McDormand, Richard Jenkins, Sean Bean, Woody Harrelson, Sissy Spacek, Thomas Curtis, Elle Peterson, Jeremy Renner, James Cada, Rusty Schwimmer, Linda Emond, Michelle Monaghan, Amber Heard, John Aylward.

Por mais que se esforce, Terra Fria nunca consegue abandonar o tom episódico e jamais consegue convencer o espectador. A estrutura narrativa do longa é toda quebrada, tendo malditos flashbacks o filme inteiro enquanto a protagonista do filme está no tribunal. O filme come estes pequenos equívocos e isso faz com que a produção não seja levada muito a sério – ao menos para mim. A direção não está ruim, aliás, tirando os erros acima – mais propriamente dito, do roteiro – as atuações, todas estão boas – algumas ótimas – e a história é no mínimo interessante.
Retratando uma história real, o filme se tem início em um tribunal, a qual Josey Aimes, cansada de sofrer certos abusos na empresa onde trabalha – e ser vítima do preconceito machista – decide processar a empresa. Durante o filme, enquanto ela presta depoimento, vemos um pouco do que era a sua vida antes e depois de ela decidir trabalhar nas Minas. Um trabalho machista e quando entra alguma mulher, é hora de avacalhar com ela ou tentar alguma coisa como sexo. Após apanhar do marido, Josey decide se mudar com seus filhos para a casa de uma amiga, que lhe arranjou serviço nas Minas, aliás.
Se o filme fosse mostrado do início ao fim, sem ser em flashbacks, talvez a produção fosse melhor valorizada. Sempre que acaba um trecho da historia de Josey, só faltava aquele “To be Continue” ou “Continua no próximo episódio”. Parece que o filme é dividido em episódios e isso é um erro crasso no cinema, pois um filme tem que ser equilibrado com o roteiro e a direção. Não que a diretora deste filme seja ruim, longe disso, mas faltou braço firme para conseguir conduzir o longa sem deixa-lo chato – sim, o filme é chato. Além do mais, o filme é extremamente feminista, mostrando a figura do homem desvalorizada, colocando-o como um inimigo para as mulheres – convenhamos que é um pouco mais de exagero do roteiro descreve-lo assim, pois sempre há aquele que se preocupa mais com uma mulher ou o justo, nem todos são machistas e grossos, sempre querendo abusar ou fazendo piadinhas. Acredito realmente que na década de 70 os homens se portem desse jeito, mas sempre há minoria reservada quanto a assuntos como esse, e o jeito que é mostrado por aqui é de uma maneira lamentável – por mais que o roteiro se baseie em uma história verídica.
Mas ainda assim não é um filme totalmente medíocre, as atuações salvam do desastre. Charlize Theron sempre fora uma boa atriz, desde a sua magnífica atuação em Monster ela sempre vem sido mais requisitada, em Terra Fria ela está muito boa, com certeza. Acho que o que mais me encanta em Theron é sua expressão, que mesmo muito séria, ela demonstra o que sente apenas pelo seu rosto. A sua expressão aqui é de alguém que sofre (Monster não é tão diferente quanto a isso), porém ao mesmo tempo, ela muda ao estar com seus filhos. Justifica sua indicação ao Oscar.
Porém, não é justo só falar de Charlize Theron quando temos um elenco com uma Frances McDormand adorável e um Sean Bean sério. Além de uma ótima química entre os dois – são um casal – ambos apresentam seriedade nesse projeto. O último participava de alguns blockbusters, bem superiores a este Terra Fria, aliás. De fato, só faltou mudanças no roteiro e mais força para a diretora, até sairia um trabalho bom, já que sempre que tem Charlize Theron como protagonista, vale a pena conferir. Chamaria mais atenção se o roteiro fosse melhorado.
[50]
Escrito por Diego Rodrigues às 02h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|