Caché (Idem, 2005)
Direção de Michael Haneke. Com: Juliete Binoche, Daniel Auteil, Maurice Bénichou, Annie Girardot, Lester Makedonsky, Bernard Le Coq, Walid Afkir, Daniel Duval, Nathalie Richard, Denis Podalydès, Allisa Maïga, Caroline Baehr e Christian Benedetti.

Caché é um filme tenso, repleto de atuações fantásticas e, claro, um trabalho de roteiro e direção excepcionais. Se você é cinéfilo de plantão, já deve ter ouvido falar muito dele, figurando em quase todos os festivais brasileiros em que teve desde o ano passado. Infelizmente, só pude conferi-lo no início desse ano, em um festival aqui em minha cidade, Porto Alegre – um festival que podia ter sido melhor se as cópias não tivessem ainda em película.
A história pode ser comum para alguns, porém nenhum das produções que tem ameaças podem ser comparados a este Cachê. Já que o filme não se concentra em mostrar cenas de ações, e sim na psicologia dos personagens, o que é o mais admirável nessa produção de Haneke. Não que não tenha lutas ou mortes, há sim, uma luta; uma luta pelo amor da família e para evitar que o passado possa, por algum motivo, atrapalhar a vida social de Georges, já que quem começa a ameaça-lo é alguém do seu passado.
Georges é um homem de família bem sucedido, um bom marido e um pai um pouco ausente, porém sempre atento. Até ele e sua mulher receberem uma misteriosa carta, que ele rapidamente reconhece e desconfia de alguém que lhe passa fazendo mal o filme inteiro, já que ele começa a ser atingido pela carta. A sua expressão quando as recebe, quando reconhece a pessoa e tudo o mais é excelente. E assim como em Crime Delicado, onde o personagem começa a decair durante o longa de uma maneira excepcional, principalmente com as atuações de Daniel Auteil e Marco Ricca – este último no longa mencionado antes.
Aliás, as atuações são as melhores coisas dessa produção. Desde a atuação de equilíbrio do longa, Daniel Auteil – se ele não fosse bom, todo o filme poderia ter sido uma droga, facilmente. Enquanto isso, a sensibilidade de Juliette Binoch nos atrai de uma maneira tão emocionante que é impossível não ver que ela está realmente sentindo aquele nervosismo, aquela preocupação. Mais um ponto extra ao filme.
Terminando a resenha, a edição de Michael Hudececk e Nadine Muse é fundamental para o longa, assim como o elenco. Tudo está ligado, se um erra, o resto todo é prejudicado. Porém, ainda bem que tudo está perfeito nesse filme. A montagem é fundamental pois é ela quem nos alterna entre passado e presente, é ela quem mostra os atores preocupados, é ela quem estabelece o ritmo do filme, e como em qualquer outro filme, ela é importante. Aqui é exigida um pouco mais, já que todo o resto depende dela – os flashbacks, por exemplo. Enfim, Cachê pode ser até agora o melhor filme do ano, ao menos é o meu favorito até o exato momento.
(9,5)
Escrito por Diego Rodrigues às 18h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Atualizando...
Missão: Impossível 3 (Mission:Impossible 3, 2006)
Dirigido por J.J. Abrams. Com: Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman, Ving Rhames, Billy Crudup, Michelle Monaghan, Simon Pegg, Jonathan Rhys Meyers, Maggie Q, Keri Russell, Laurence Fishburne.

É impossível não mencionar nenhum dos filmes anteriores em uma continuação, ainda mais sendo uma trilogia de filmes de ação. No primeiro filme, tínhamos duas cenas clássicas – a explosão do túnel e claro, a descida de Cruise que fora até imitada agilmente pelos roteiristas de Shrek 2, na qual Pinóquio descia a prisão onde Shrek estava preso, ao som da música-tema criada por Lalo Schifrin. E por falar nisso, aqui o tema não é repetido várias vezes, fazendo com que o trabalho do compositor Michael Giacchino – com quem o diretor J.J Abrams trabalhou nas séries americanas Alias e a excepcional Lost – seja escutado e apreciado de uma forma bem melhor, e olhe que a trilha é excelente.
Já era fã do trabalho de Abrams desde que olhei pela primeira vez a série Lost, não acompanhei Alias, portanto não posso dizer que conheço faz tempo o seu trabalho. Acho que ele fora a melhor opção para dirigir essa seqüência, que, claro, tem algumas falhas, porém não tão graves como o segundo filme – que tinha, além de uma direção falha de John Woo, atuações ruins, Cruise estava, particularmente, horrível. Aqui, todo o seu esforço é recompensado, e ele consegue criar o melhor dos três filmes baseados na série Missão: Impossível.
A história deveria ter sido mais desenvolvida, pois em certos momentos do filme, ela acaba dando lugar a explosões e ação interrupta. Além disso, é uma clássica história de mocinho que salva mocinha, não que ela seja ruim, longe disso, apenas não foi bem desenvolvida, mas a trama ainda vale pela direção e pelo elenco que está incrível – já falo dele logo mais. Após se casar, o agente da IMF (Impossible Mission Force) está trabalhando apenas em treinar novos agentes, é quando uma de suas agentes que ele treinou o chama de volta a ativa e ele vai enfrentar mais uma missão impossível.
O vilão da história é Owen Davian, interpretado pelo vencedor do Oscar Philip Seymour Hoffman, que é realmente o destaque da produção. Seu vilão é tão convincente que deixa os outros vilões no chinelo. Porém, Tom Cruise se recupera do fracasso que fora no segundo, recupera-se da apenas boa atuação no primeiro Missão: Impossível e Guerra dos Mundos e volta neste terceiro com uma ótima atuação – ainda assim, sua melhor atuação fora em Magnólia, e não há outro filme que se saia tão bem. Nós conseguimos ver em seus olhos que a sua correria realmente importa, que ele se importa com aquilo com que está lutando. Enquanto isso, o resto do elenco está tão bom quanto ele. Ving Rhames, a bela – fiquei apaixonado por ela – Maggie Q como Zhen e é claro o jovem Jonathan Rhys-Meyers, que parece estar com uma boa fase, ganhou um Globo de Ouro e participou de um dos melhores filmes do ano, o aclamado Match Point – Ponto Final – além de ter trabalhado com Woody Allen. Laurence Fishburn pouco pode fazer como Brassel, mas é sempre bom vê-lo em suas pontas – ainda mais quando descobrimos o final. Outro que merece destaque é Billy Crudup, e é, claro que eu já ia esquecendo de Simon Pegg – direto do hilário Todo Mundo Quase Morto.
É isso, Missão: Imposível 3 é um filme com cenas de ação excelentes, uma trilha hágil e uma ótima direção – é o ponto forte do filme.
É, Abrams, conseguiu de novo.
E que venha Missão: Impossível 4, porque eu não agüento mais, eu quero saber o que e o Pé-de-Coelho...
(8,5)
Escrito por Diego Rodrigues às 18h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|